quarta-feira, 20 de outubro de 2010

amargamente doce, e inconfundivel.

 Quinzena passada eu havia lhe dito, que meu rímel estava borrado por motivos irrevogáveis, mas se lhe visse hoje você perceberia que como todo e qualquer mortal eu me enganava. Tudo havia mudado, pois percebi que a sorte conhece meu endereço e bate à minha porta. Está aqui, presente do bingo ao trevo de quatro folhas. E eu sei, eu sei que você dirá que sorte não existe, que o que existe são conquistas. Então chame de acaso, coincidência, fé, o que for. Independente do nome, aqui tem de sobra. E antes que você pergunte onde está meu bilhete premiado na Mega Sena, onde foi parar o carro que ganhei no último sorteio ou quanto dinheiro andei achando na rua, é bom avisar: Sorte pra mim é ver o carrinho de picolé chegando. É compartilhar gargalhadas na segunda. Acordar com vontade de fazer bolo e ver que tenho os ingredientes. É ganhar beijo roubado. Sorte pra mim é sol no sábado. É pijama até às 3. É reunir os melhores amigos com chapeuzinho de aniversário ou simplismente em um bom e velho filme com muito sorvete. É saber que amanhã é sexta. E que os problemas já podem ser substituídos por otimismo. Sorte é saber que posso contar com minhas crenças, meus amores, contar com tudo que sou e que tenho. E saber que eu não sou um monte de coisas. Mas que posso ser. É ter pra quem ligar quando eu quero rir. E ter alguém pra chamar quando eu quero colo. É ter certezas. É saber que vai dar tempo. Que vai dar saudade. Mas que sou determinada a ponto de quebrar a cara (e de não desistir com isso). É, acima de tudo, saber perceber que eu tenho sorte.
Sorte é ter um passado doce e o açucareiro nas mãos. Eu sou a minha própria sorte.

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