Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito não é mais o mesmo, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos, nem os filmes favoritos. Que pessoas e assuntos fúteis não me encantam mais. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais recorri a fotografias. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. E que ainda não aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão bem sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Mas que ainda preciso de meu sorvete quando tudo dá errado. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu aprendi que posso ser minha melhor e mais confiável companhia: e o principal, ele nem imagina que foi ele quem me ensinou a ser assim. Não vou voltar a acreditar em algo que á muito aprendi não ser real. Não, não sou tão idiota assim. E você, o que tem a ver com isso? Bom, se você não entende pode ir em bora, perdi muito tempo tentando me explicar para no final perceber que nada valeu meus esforços. Não se preocupe se você não estragar o pouco de consideração que ainda tenho quem sabe você possa virar uma lembrança minha também, escrita em tinta azul borrada, borrada pois não teve tempo para secar. Descubri que você tinha razão, realmente sou diferente, não me contento com frações, e tão pouco com o que é comum.
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