O que as pessoas não sabiam sobre mim durante esse tempo todo é que nem sempre fui as atitudes que tive, nem sempre estive ao lado de minhas decisões e nem sempre as minhas palavras foram o que eu realmente queria ter dito. Agora eu precisava mais do que manter o controle sobre mim, eu precisava correr atrás de meu tempo perdido, só queria conseguir não me sentir culpada toda vez que leio essas entrelinhas abaixo. Sempre escrevo em verbos do pretérito imperfeito indicativo, talvez isso se deva a minha forma de pensar que as vezes pode ser incansavelmente masoquista.
Basicamente sempre fora assim, mas não seria mais..
Era fim de tarde, meus afazeres da escola já estavam prontos, enquanto guardava meus cadernos em minha mochila marrom surrada, tive uma breve idéia e em um impulso vesti minha causa de moletom cinza, particularmente minha favorita, juntei em minhas mãos o fone de ouvidos e uma maçã, com passos leves mas apressados cheguei à clareira em que brincava quando era criança, meus olhos percorreram cada espaço de lá, a relva úmida ainda tinha o mesmo cheiro, e era incrível como tudo estava intocável, o tronco em que nos equilbrávamos ainda permanecia no mesmo lugar, vagarosamente me aproximei e sentei, era como se o tempo tivesse se esquecido de passar por ali, perdida em meus pensamentos abocanhei um pedaço de maçã e selecionei minha música favorita; já era final de tarde e eu podia ver o sol se pondo por entre as copas das árvores, tudo estava bem agora, e eu consegui entender que as coisas boas estavam dentro de mim. Eu só precisava reencontrá-las e ter um pouco mais de paciência, afinal o tique taquear do relógio significa muito mais do que horas passando, o tempo resolve tudo sempre, e não é só mais uma metáfora clichê.

Nenhum comentário:
Postar um comentário