Eu conseguia escutar o cantar dos passáros que entravam abafados e leves pelas pequenas fendas existentes nas janelas quebradas, daquela pequena sala colorida e encantadoramente ajeitadinha, decorada de forma abstrata; as paredes riscadas com memórias, e um pequeno bule pintado manualmente de floral carregava algumas flores dentro de si, em um cantinho da sala. Agora a melodia de uma das minhas músicas preferidas ecoava pelo ambiente, aquilo me acalmava fazendo meus pensamentos mais perigosos se afastarem cada vez mais. Toda aquela raiva e tristeza que haviam se acumulado dentro de mim não passavam de pura poeira agora, como a que estava impregnada naquelas roupas bagunçadamente penduradas na arara. Talvez eu devesse simplesmente levantar e sacudir a minha poeira, a que estava dentro de mim. Respirei fundo e prendi o ar em meus pulmões, fechei os olhos e desejei com todo meu coração que eu pudesse ser forte e manter meus pensamentos positivos. Não senti calafrios, nem borboletas no estômago, e muito menos uma brisa levemente refrescante entrara pela janela ou outra coisa do tipo, nada, nada acontecera. Então abri os olhos vagarosamente e eles correram de imediato para uma palavra que parecia se destacar na parede verde limão. Fênix. Então eu entendi. Era preciso sacudir a poeira e renascer das cinzas, e eu o faria.

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