Parecia uma noite saída direto de um filme, aqueles que as protagonistas andam pelas ruas no inverno sorrindo cheias de casacos, mas comigo não era assim! O frio batia em meu rosto quase cortando, e o meu cabelo movia-se com o vento. Eu não sabia o motivo, mas tinha urgência em chegar em casa e de alguma forma sentir aconchego, não que minha casa fosse o lugar mais aconchegante do mundo mas meu quarto sim. Abri a porta, larguei tudo em cima da cama, a bolsa, a rosa e o saquinho com o peixe, presente do Paulinho. Joguei-me na cama esperando ouvir os gritos da minha mãe pela hora em que cheguei. Mas não. Os gritos não vieram! Não sei bem como explicar mas de repente tive a sensação de calma, algo que não sentia a muito tempo, durante uma fração de segundo tive a impressão de que as coisas não estavam tão fora do lugar, e até acreditei que tudo realmente se resolveria. Fechei os olhos com muita força, e em um flesh back perfeito vi algo que me fez sorrir, uma lembrança simples da minha tarde mas que com certeza me fazia bem.. Era a primeira hora da tarde, por mais que eu me esforçasse eu não conseguia me sentir culpada por estar matando aula, no mínimo não agora.. ele tava me abraçando e era difícil raciocinar com o cheiro dele por perto. Abri os olhos e vi nosso reflexo na vidraça da loja, ele olhava para os carros, e espremia um sorriso. Aquilo. Exatamente aquilo. Justificava todo o meu dia.
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