segunda-feira, 31 de maio de 2010

talvez eu nem tenha dito..

Parecia uma noite saída direto de um filme, aqueles que as protagonistas andam pelas ruas no inverno sorrindo cheias de casacos, mas comigo não era assim! O frio batia em meu rosto quase cortando, e o meu cabelo movia-se com o vento. Eu não sabia o motivo, mas tinha urgência em chegar em casa e de alguma forma sentir aconchego, não que minha casa fosse o lugar mais aconchegante do mundo mas meu quarto sim. Abri a porta, larguei tudo em cima da cama, a bolsa, a rosa e o saquinho com o peixe, presente do Paulinho. Joguei-me na cama esperando ouvir os gritos da minha mãe pela hora em que cheguei. Mas não. Os gritos não vieram! Não sei bem como explicar mas de repente tive a sensação de calma, algo que não sentia a muito tempo, durante uma fração de segundo tive a impressão de que as coisas não estavam tão fora do lugar, e até acreditei que tudo realmente se resolveria. Fechei os olhos com muita força, e em um flesh back perfeito vi algo que me fez sorrir, uma lembrança simples da minha tarde mas que com certeza me fazia bem.. Era a primeira hora da tarde, por mais que eu me esforçasse eu não conseguia me sentir culpada por estar matando aula, no mínimo não agora.. ele tava me abraçando e era difícil raciocinar com o cheiro dele por perto. Abri os olhos e vi nosso reflexo na vidraça da loja, ele olhava para os carros, e espremia um sorriso. Aquilo. Exatamente aquilo. Justificava todo o meu dia.

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